sexta-feira, 27 de abril de 2012

"UMA LIÇÃO DE VIDA."


O ser humano é um inconformado, por excelência. Reclama de tudo e de todos, por exemplo, chover por dois ou três dias: lá vem a reclamação: meu Deus! Que tanta água?Se continuar neste ritmo, viraremos sapos.
Sol por dois ou três dias: tá danado, tá danado, não suporto mais este calor tremendo, vamos aguardar uma chuvinha, caso contrário, morreremos todos queimados.
Uns dias de frio: Santo Deus! Estou com as mãos congeladas, não consigo trabalhar nestas condições, tomara que surja um sol, caso contrário viraremos pingüins.
Comida com muito sal, sem sal, comida fria, quente demais e por aí vai.
Come que nem um cavalo, regato com bebidas e depois vem a reclamação: esta comida não desceu muito bem, estou estufado e enjoado.
Eu, também, não posso me abster, pois sou chegado numa reclamação, infelizmente.
Dias atrás fomos num shopping almoçar (eu e minha família).
Cada um procurou a sua preferência; fui correndo para o Le Magu, a procura de meu bifão.
O dito cujo, apresentou-se muito grande, ultrapassando as bordas da travessa, coisa de louco.
A minha nora e meu filho seguraram as pontas do bifão que ficaram fora da travessa, enquanto eu triturava o mesmo do meio para as pontas, até o mesmo encurtar e encaixar-se dentro do prato.
Diante dos olhares da família, faturei o bifão, sem deixar nada, nem sequer um grão de arroz, nem um pedacinho de batatinha frita beleza pura.
Para terminar o saboroso almoço, 300 ml de suco de manga.
Inventaram de pedir uns docinhos de chocolate como sobremesa; eu detesto chocolate, mais aquele velho papo: é só a casquinha de chocolate, o resto é de morango. Aceitei pronto, lá veio o estufamento total, parecendo um balão. Não pensei duas vezes, eis a reclamação: falei, eu falei que não gosto de chocolate, agora fico nesta situação desagradável.
Cheguei em casa, fiz um chá de boldo, um balde propriamente dito, e vamos nós, uma xícara de chá e uma porção de reclamação; este lero lero durou dois dias, é mole?
Num certo dia, já dentro da megaloja (21m2), de praxe, estava usando a loja como muro das lamentações: a coisa não vai, trabalho de domingo a domingo, porém, um comer para não morrer, subo um degrau, volto dois, a escada dos outros é para cima, a minha é para baixo, e vai reclamação.
De repente chega um senhor vendendo felicidades, tais como:
- bom dia, muito bom dia, que dia lindo muita chuva, Deus é bom, precisamos de chuva.
O senhor me venda um par de luvas de fios, pois a minha chegou ao limite, e sem às mesmas não tenho como me locomover.
-Olhei o referido senhor sentado numa cadeira de rodas, todo molhado,
A luva solicitada era para proteger suas mãos, pois necessitava das mesmas para impulsionar às rodas da cadeira, um meio de se locomover.
- Já tirei um pedido, mas se Deus quiser, ainda tirarei mais uns dois no mínimo, haja vista, que o dia está começando.
- Entreguei às luvas.
- Até logo, fica com Deus, bons negócios e até outro dia.
- Deixei o feliz da vida se mandar, corri para o espelho e notei uma imagem de um babaca, inerte, sem vida.
Aproveitei e soltei o verbo para mim: bundão, babaca, Zé de melo, fracassado, com toda a saúde que Deus lhe deu, só vive reclamando. Olha para o espelho, nem uma bomba de oxigênio no nariz para respirar, tudo em dia, viu a lição de vida daquele senhor? Aprenda Mané!
Venha cá, venha cá, considere-se admoestado, ouviu jacaré?
Voltei para a minha cadeira, mais conhecida como cepo e fiquei batendo os dedinhos.
Calma lá, calma lá, já frisei, por diversas vezes, que itajaiense não tem dedinhos, tem dedaço, uma mistura de carne com aço, vamos com muita calma.
Só estou esperando o trânsito se acalmar para fazer um verdadeiro show com minhas esporas, um verdadeiro atrito de fogo, parecendo uma fogueira de São João.
O quê foi? O quê foi? Falei em fogueira de São João, a canjica já funcionou, parecendo uma verdadeira sanfona, em festas juninas. Deita e rola cambada.
Jesus disse: bem aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.

Continua chovendo, até quando vai chover? Não suporto mais tanta água.
Abraços do Catarina Paranaense – o admoestado, porém, continua reclamando.




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