sábado, 6 de abril de 2013

" O MEU TOLDO,"



Toldo = cobertura de lona ou brim, destinada a abrigar, do sol e da chuva, porta, varanda, eirado, convés de embarcação, etc.
O meu toldo, até pouco tempo atrás, estava nesse contexto, porém, peitou a intempérie, levou uma precipitação atmosférica e ficou “todinho furadinho.”
Os furinhos de dia, pareciam estrelas cristalizadas, já à noite, pareciam estrelas douradas.
O referido toldo criou algumas características, a saber:
Toldo romântico = certa noite, já com a megaloja (21m2) fechada, escutei a chegada de um casal de namorados, e disseram o seguinte: que toldo interessante, parece um céu estrelado!
O namorado aproveitou o momento e falou para namorada: vou aproveitar esse cenário maravilhoso para fazer algumas perguntas, posso?
- Pode meu gato.
- De quem são esses olhinhos tão atraentes?
- São seus meu gatinho
- De quem é essa boca tão carnuda?
- É sua meu gatinho.
- De quem é esse nariz tão perfilado?
- É seu meu gatinho.
- De quem são essas orelhinhas tão empinadas?
- São suas meu gatinho.
- Dei um murro na porta de aço, que de aço não tem piculinas nenhuma, e falei: quando chegar ao toldo não se esqueçam que é de minha propriedade, entenderam?
Prá cá com essa.
Toldo sauna = em dias de chuvas algumas pessoas ficavam debaixo do toldo aproveitando as gotículas da chuva para se refrescarem. É mole pé de cabra?
Porém, aqueles furinhos foram se alargando, alargando, até ficarem verdadeiros buracos, buracos e mais buracos.
Toldo das lamentações = certo dia uma senhora antes de entrar na loja, olhou para cima e começou a chorar amargamente, falando o seguinte: Meu Deus! Meu Deus! Que desgraça! Esse senhor da bodega luta tanto, trabalha de domingo a domingo, parecendo um trator, mas, o seu trator só tem uma marcha, ou seja, a marcha ré, enquanto os outros marcham para frente, ele marcha para trás.
- Falei para a madame senhora lacrimal: minha senhora! Fiquei sensibilizado com a sua sensibilidade, entretanto, a senhora cometeu um gafe, ou seja, o meu trator tem duas marchas, a marcha ré e a marcha “spnt”, entendeu?
- SPNT? O que venha ser isso?
- Fácil, muito fácil, a marcha que “só pega no tranco.”
É dose para mamute.
Tomei uma decisão: chamar um consertador de toldo e fim de papo.
Lá veio o cara com aquela educação peculiar.
- Me chamaram para fazer um orçamento, é aqui mesmo?
- Sim senhor, eis o bicho.
- Isso não é toldo, e sim, uma reunião de buracos.
- O cara olhou, olhou, olhou, desenhou, desenhou e lascou: três chequinhos de duzentos pilas.
- OK, muito obrigado, entrarei em contato, caso venha interessar.
Falei para o meu filho, uma verdadeira roubalheira, vamos fazer o conserto.
Compraremos a lona, cola, e procuraremos colar a nova lona nos pontos suportáveis, como meio de apoio.
Toldo folclórico = quando íamos levando o toldo para o fundo da loja passou um cara de bicicleta e berrou: qual o horário da brincadeira do boi de mamão?
Tentamos colar a lona, porém, os suportes de sustentação estavam tão podres que não seguraram a nova lona. O quê fazer? Fazer o quê?
Surgiu uma idéia: vamos chamar o toldólogo, Doutor Canha, PHD da Universidade de Cambridge.
Tudo legal chegou o Doutor Canha.
- Doutor Canha? Qual a solução para a recuperação do referido toldo?
- Buracou tem que rebitar! Buracou tem que rebitar! Eis a receita:
Cem rebites 3.2 x 12.
Cinco metros de lona reforçada.
Uma lata de cola de Vinyl.
Uma rebitadeira.
Boa vontade e vamos lá.
-Beleza pura vamos dar início ao trabalho.
Qual o seu honorário para tal consultoria?
- Quinhentos rebites 3.2 x 12 e uma rebitadeira.
- Tá na mão doutor Canha.
Esses toldólogos são esquisitos, até a maneira de cobrar, no que tange a moeda.
Plac, plac, plac (plac, plac, e plac, é o barulho da rebitadeira, entendeu pé de cabra?)
Serviço encerrado, uma verdadeira obra de mestre.
O toldo depois de pronto foi colocado no devido lugar.
No dia seguinte, após um dia chuvoso, o referido toldo apresentou um formato de uma bolsa, no seu lado direito, parecendo um mamilo.
Apanhei uma régua e cutuquei aquela bolsa; nesse momento ia entrando um senhor, o qual recebeu um verdadeiro banho d água, oriundo da referida bolsa do toldo.
Quando o referido senhor foi banhado da cabeça aos pés, ele parou mais parado mesmo, parecendo uma estátua aquática. De tanta raiva o mesmo arreganhou-se todo, parecendo um jacaré rindo de nada.
Fiz que fosse guardar a régua e fiquei olhando de longe; graças a Deus o mesmo se mandou.
Chamamos novamente o Doutor Canha, a fim de explicar o caso da bolsa.
- Parecer do Doutor Canha: trata-se de uma barriga-d´água, só sairá com muita pressão.
Vamos pressionar a lona o máximo e rebitar novamente. Dito e feito, sanado o problema.
Grande Doutor Canha.
Pronto, tudo dentro dos conformes.
 O quê? Você quer ver o novo toldo? Cinco mangos meu caro, para ver de longe, agora, mais de perto dez cascalhos e fim de papo.
Ufa!
Abraços do Catarina Paranaense.
















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